Segunda-feira, 5 de Março de 2007

Páginas de um percurso...

Foram 4 semanas a descobrir um dos maiores autores de língua portuguesa. Ficámos com a certeza de que Eça de Queirós foi um dos escritores multifacetados que mais contribuiu para o enriquecimento cultural da sociedade de novecentos. Com ele, descobrimos ainda a importância da tecnologia e a relativização que lhe devemos atribuir. Pesquisámos em vários meios, folheámos livros antigos, lemos estudos sobre o autor e a sua obra, debatemos o tema “O homem só é superiormente feliz quando é superiormente civilizado”, conversámos com professores para conhecermos melhor Eça de Queirós.

Graças a este trabalho, pudemos ver com outros olhos o Palheiro de José Estêvão, na Costa Nova, por onde passamos no nosso dia-a-dia, pois vivemos perto. Fomos à procura da antiga casa de Verdemilho, onde Eça viveu a sua meninice, com os avós, casa essa que continua em ruínas, sem ter à vista qualquer obra de restauro!!! Também nos deslocámos a Tormes, onde conhecemos a viúva do neto de Eça de Queirós, uma simpática senhora que nos abriu a porta de sua casa, hoje transformada em Fundação Eça de Queirós, e que nos deixou apreciar a lupa de Eça, a sua biblioteca, os três móveis que se encontravam na casa aquando da chegada de Eça / Jacinto a Tormes. Descobrimos o ficheiro onde Eça arquivava as suas notas de viagem: o computador da altura era um armário com gavetas de couro verde, onde guardava catalogadas as folhas de papel com as notas escritas a lápis, sobre tudo o que observava nas suas viagens. Quando escrevia socorria-se de tais apontamentos, consultando-os de pé, atrás da sua secretária alta, no escritório de sua casa. Finalmente, conhecemos a faceta do escritor mais caricatural e caustico da literatura portuguesa, através das caricaturas que lhe foram e são dedicadas, expostas no Museu da Imprensa, no Porto. Apreciámos o facto de Eça ser ele próprio um caricaturista, desenhando-se como uma cegonha, por exemplo.

Enfim, podemos dizer que a obra que desconhecíamos há pouco mais de quatro semanas nos cativou. A Cidade e as Serras acompanhou-nos nestes últimos dias, permitindo-nos reflectir sobre a leitura, a tecnologia, a cultura e a civilização. Levou-nos também a viajar por Portugal e a olhar para o nosso país com olhos de ver, tal como Eça fazia e transpunha para as suas obras. O final do século XIX surge-nos, sem dúvida, com uma actualidade impressionante neste início do século XXI. Será uma questão de coincidência dos números romanos, ou será apenas pelo facto de que Eça de Queirós se impõe como um escritor contemporâneo, independentemente da época em que o lemos? 
publicado por Daniel às 11:50
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Excerto da obra 'A Cidade e as Serras' (Representada em Tormes) (Semana 4)

Excerto da obra A Cidade e as Serras
Eça de Queirós
 
Representação no cenário real, em Tormes, na casa que é descrita na obra.
 

 

 

 

"- É curioso… Nunca plantei uma árvore!

- Pois é um dos três grandes actos, sem os quais, segundo diz não sei que filósofo, nunca se foi um verdadeiro homem… Fazer um filho, plantar uma árvore, escrever um livro. Tens de te apressar, para ser um homem. É possível que talvez nunca prestasses um serviço a uma árvore, como se presta a um semelhante!

- Sim… Em Paris, quando era pequeno, regava os lilases. E no Verão é um belo serviço! Mas nunca semeei."

 

QUEIRÓS, Eça de, A Cidade e as Serras, Edição “Livros do Brasil”, Lisboa, 2005

 

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publicado por Daniel às 02:05
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Eça em Caricatura no Porto (Semana 4)

De 18 de Dezembro a 31 de Março, no Museu Nacional da Imprensa, no Porto, está patente a exposição “Eça em Caricatura”, inaugurada pela senhora ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima. A mostra pode ser visitada todos os dias entre as 15h e as 20h.

 

Clã Mahatma no Museu da Imprensa, em 2 de Março de 2007

 

 

No Museu Nacional da Imprensa, o visitante pode conhecer outras facetas de Eça de Queirós: descobrirá não só o modo como este autor realista se via, mas também o modo como os seus contemporâneos e os caricaturistas da actualidade o retratam.

Dos vários caricaturistas, destacam-se os portugueses Rafael Bordallo Pinheiro (1846-1905), Stuart Carvalhais (1887-1961), Mário Botas (1952-1983), João Abel Manta (1928) e Vasco (1935). É de realçar igualmente a presença de vários caricaturistas brasileiros, o que prova que Eça de Queirós tinha uma boa relação com o Brasil. De facto, sabemos que Eça é um autor muito querido no Brasil, tendo mantido com os brasileiros ligações estreitas aquando da sua vida diplomática. Pode citar-se como exemplo expressivo as tertúlias que dinamizava diariamente na sua residência em Paris, quando ali desempenhava as funções de Cônsul, às quais acorriam os portugueses e os brasileiros que se encontravam na capital francesa. Aí trocavam impressões sobre a vida económica, política e literária, o que permitia que Eça se mantivesse actualizado em relação a Portugal e ao Brasil. Curiosamente, existe ainda em Tormes uma mesa que terá sido a “mesa das sessões de espiritismo ” que se realizavam na casa de Paris, provavelmente uma das influências dos amigos brasileiros que a frequentavam.

Outro aspecto que chama a atenção do visitante são as cinco auto-caricaturas originais, em que Eça de Queirós se retratou de forma burlesca, o que demonstra que o espírito crítico do autor não se aplicava unicamente aos outros, mas também a si próprio, revelando o sentido de humor tão característico deste escritor. Ajusta-se a este género humorístico da caricatura a expressão destacada logo no início da exposição: «O humor e olhar satírico fazem parte integrante da sua escrita. Esta particularidade começa na imprensa, nas famosas Farpas, partilhadas com Ramalho Ortigão. O objectivo do jornal é “farpear” o país. “As Farpas são pois o trait, a pilhéria, a ironia, o epigrama, o ferro em brasa, o chicote, postos ao serviço da renovação.” disse. Eça não tinha qualquer pejo em acrescentar que “a galhofa deve ser posta ao serviço da justiça.” Aos 21 anos, ele tinha já uma ideia muito clara sobre a importância do humor gráfico. E disse frontalmente o que pensava sobre a Caricatura: “O meio mais poderoso de desacreditar, no espírito do povo, os maus governos.” E explicou porquê: “mais que torná-los odiosos, torna-os desprezíveis.”

Além de um busto original de Rafael Bordallo Pinheiro, datado de 1901, um ano após a morte de Eça de Queirós, pode apreciar-se a revista “A Gaiola Aberta”, de 1 de Julho de 1978, com texto de Eça de Queirós sobre os Açores, havendo igualmente uma caricatura de José Vilhena que apresenta Eça e a sua fina ironia, no comentário “Os Açores? O melhor é dá-los e depressa.”

Como dizia José Bandeira, numa entrevista à revista “notícias magazine” de 20 de Novembro de 2005, “Um bom cartoon é aquele que faz pensar. Um cartoon, comentou, pode ser muitas coisas, desde que faça dispara o cérebro.” Esta mostra de caricaturas dedicada a Eça de Queirós demonstra exactamente que este autor despertou, no seu tempo, e ainda hoje, o espírito crítico, graças ao seu sentido de observação e à sua análise mordaz da sociedade.p

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publicado por Daniel às 01:49
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Entrevista a Eça de Queirós - Vídeo (Semana 2)

   Para poderem realizar a sua entrevista a Eça de Queirós, os Mahatma trabalharam arduamente. Após dias a elaborar as perguntas, o cansaço foi tal que se deixaram vencer pelo sono. Quem diria que seria desta forma, em sonhos, que iriam conseguir entrevistar o consagrado escritor!...
    Assim, com o auxílio de uma inovadora máquina do tempo e após uma passagem por diversas épocas, os Mahatma chegaram à Costa Nova do século XIX, onde encontraram Eça de Queirós a passar férias no palheiro de que tanto gostava, pertencente ao político aveirense José Estêvão. Convidados para sua casa, entraram numa ampla biblioteca e colocaram-lhe algumas questões sobre a sua vida social e política.

 

 

 

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publicado por Daniel às 01:39
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